O QUE É DISPLASIA COXO-FEMORAL E PORQUE DEVO CONTROLÁ-LA?

Esse texto vai te ajudar a entender alguns termos que usamos para classificação de cães e a importância de se adquirir cães com controle de doenças hereditárias.

Primeiramente, é imprescindível dizer, que para a reprodução dos cães, é extramente necessário o controle das principais doenças hereditárias da raça. Independente se o cão será vendido por milhares de Reais, ou se será doado a um amigo ou parente.  A parte comercial é a que menos importa! O importante, é que ao colocar cães no mundo, você se torna responsável por eles, e quem gosta de cães não quer ser responsável por colocar cães no mundo que dependam da própria sorte para serem saudáveis ou não. Então, reproduzir cães sem esses cuidados, não é um ato de amor, e sim um ato de EGOÍSMO!!

A displasia coxo-femoral é uma doença de transmissão genético-hereditária que causa o mau encaixe do osso da coxa (Fêmur) com o osso do quadril, em um local específico, denominado acetábulo. Essa doença é apenas diagnosticada através de uma radiografia específica. Muitas vezes, o cão ainda não mostra sintomas, mas é acometido pela doença. Por isso que não basta o cão “parecer saudável”, para você afirmar que o cão É SAUDÁVEL. Infelizmente muitos criadores, sempre usam essa “desculpa” para justificar por que seus cães não foram laudados. É muito comum ouvir: “mas eles são saudáveis, nunca mancaram” ou então, “nunca nenhum cliente reclamou”, ou pior “o veterinário me disse que ele é saudável”, já ouvi até uma que custei a acreditar “eu sou médico, saberia se houvesse algum problema”. Essas frases e outras tão parecidas parecem que são “combinadas” entre os criadores que não se preocupam com a saúde dos cães!! Pois já ouvi TANTAS parecidas ao questionar alguns criadores sobre os laudos dos cães.

Mas, se você quer comprar um cão, e não quer contar com a SORTE, procure apenas filhotes de canis que tenham uma preocupação com a saúde dos reprodutores. Pois é claro que não podemos afirmar que todos esses cães são ou serão displásicos, mas ao comprar um filhote desse tipo de criador, a única coisa que vai garantir a saúde do seu filhote é a SORTE! E convenhamos que se já temos como prevenir certas coisas que são tão importantes, a sorte não é a opção mais confiável. Sem contar que você comprando desse tipo de criador, estará financiando a criação sem critério e sendo responsável por colocar cães possivelmente doentes no mundo. Mais uma vez digo, se você realmente gosta de cachorro, não quer que mais cães sofram. Então deixe o egoísmo de lado e não pense apenas no que lhe convém.

Outra coisa importante, muitos criadores dizem que fazem os laudos, mas nunca os mostram. Mostrar os laudos é uma obrigação do criador, se o criador não disponibiliza a imagem desses laudos, é praticamente certo que está mentindo e que os cães não foram radiografados! Não hesite em exigir os laudos. O ideal é que estejam à mostra em seus web-sites, mas se não tiverem, é direito seu pedir para que o criador lhe envie. Não é constrangimento pedir!

A displasia coxo-femoral não é uma doença rara em border collies, muito pelo contrário, é uma doença MUITO COMUM!! Segundo as estatísticas da OFFA, em mais de 12 mil exames realizados em cães da raça border collie, 10,5% são displásicos, ou seja, mais de um em cada 10 border collies são displásicos. Eu ainda acredito que na realidade, essa porcentagem é ainda muito maior, levando em conta que a OFFA está contanto apenas os cães que foram avaliados lá, e normalmente, os criadores que mandam para OFFA são criadores mais conscientes e com controle de gerações. Se pegarmos uma amostragem de cães sem controle por gerações e gerações, essa estatística tende a ser ainda maior!! Ou seja, se pegarmos um plantel de um criador sem critérios, acreditamos que muita “surpresa” pode aparecer.

Ok, agora você já entendeu a importância do controle da displasia, mas ainda não sabe como controlá-la, então, tentarei explicar de maneira simples.

O diagnóstico é feito através da radiografia da região do quadril, feito por um Médico Veterinário especialista em radiologia veterinária. Na imensa maioria das vezes, o cão estará profundamente sedado ou anestesiado para realizar tal procedimento, isso é importante para que haja um posicionamento perfeito das articulações para a avaliação. O laudo só será definitivo, se o animal tiver mais de dois anos de idade. Antes disso, pode se ter um laudo prévio, mas que deve ser repetido quando ele completar essa idade. A articulação será avaliada em graus, no Brasil, usa-se a classificação por letras, de A a E. Sendo HD A a articulação mais perfeita e a HD E considerada displasia grave.

Cães com grau HD A ou HD B estão OK para reprodução (levando em consideração a articulação coxo-femoral, existem outros critérios que definem se um cão deva ou não ser reproduzido), cães HD C devem ser evitados na reprodução ou utilizados com muuuuuita cautela, apenas se o cão tiver qualidades realmente superiores que valham a pena o risco, cães HD D ou HD E jamais podem se reproduzir, e preferencialmente devem ser castrados o mais rápido possível para evitar riscos de uma ninhada inesperada. E devem ser acompanhados por um médico veterinário, pois mesmo se ainda não houver sintomas de displasia deve-se instituir tratamentos profiláticos para que não venham a apresentar e sofrer com dores no futuro.

No nosso canil, preferimos que nossos laudos sejam OFFA, que seguem classificações um pouco diferentes, que vamos explicar logo abaixo.

PORQUE USAMOS LAUDOS OFFA PARA AVALIAÇÃO DE DISPLASIA COXO-FEMORAL DOS NOSSOS CÃES?

Infelizmente, no Brasil, não consideramos que todos os profissionais são 100% capazes de darem bons laudos de displasia coxo-femoral. Ao longo da nossa experiência, vimos alguns laudos extremamente discrepantes, e também alguns laudos tendendo a ser melhores do que de fato são para “agradar” o proprietário do cão. Nosso principal objetivo em controlar as doenças dos nossos cães, não é ter um “laudo bonito” para mostrar para os clientes, e sim um laudo REAL, para REALMENTE controlarmos as doenças que nos preocupam. Por isso optamos por mandar para a OFFA, que é uma instituição americana que é referência mundial pela qualidade, ética e confiabilidade de seus laudos.

Eu traduzi um texto que está presente no site da OFFA para tentar explicar um pouco mais sobre as classificações e sobre as alterações presentes nas articulações.

“A avaliação fenotípica dos quadris feita pela Orthopedic  Foudation for Animals (OFA) é composta de 7 diferentes categorias. Estas são divididas em Normal (Excelente, Good, Fair), a classificação limítrofe (dada como Borderline) e os Displásicos (Mild, Moderate, Severe). Uma vez que cada radiologista classifique o quadril analisado em um dos 7 fenotipos acima, a classificação final é decidida por um consenso entre as 3 avaliações independentes. Alguns exemplos :

1-   Dois radiologistas classificam como Excellent, um como Good – a classificação final será Excelent.

2-   Um radiologista classifica como Excelent, um como Good e um como Fair – a classificação final será Good

3-    Um radiologista classifica como Fair, dois como Mild – a classificação final será Mild

As classificações de Excelent, Good e Fair, estão dentro dos limites normais e recebem uma numeração da OFA. Esta informação é aceita pela AKC em cães com identificação permanente (tatuagem/microchip) e é de domínio publico. Radiografias classificadas como Borderline, Mild, Moderate ou Severe, são revistas pelos radiologistas da OFA, que geram um relatório sobre as anormalidades vistas na radiografia. A não ser que o proprietário do cão tenha optado pelos resultados serem colocados em uma base de dados aberta, a classificação dos cães displásicos não são de domínio publico.

EXCELLENT

hips_excellent

OFFA Excellent : esta classificação é dada para cães com conformação superior em comparação à outros animais da mesma raça e idade. Tem a cabeça do fêmur redonda e encaixada profundamente no acetábulo com uma distância mínima na junta. O acetábulo cobre quase totalmente a cabeça do fêmur.

GOOD

hips_good

OFFA Good: Um pouco abaixo do superior, mas é uma articulação congruente e bem formada. A cabeça do fêmur se encaixa bem e tem uma boa cobertura pelo acetábulo.

FAIR

hips_fair

OFFA Fair: esta classificação é dada quando há pequenas irregularidades na articulação do quadril. Esta articulação é mais frouxa do que o fenótipo de um cão Good. Isto ocorre porque a cabeça do fêmur fica ligeiramente para fora do acetábulo causando um pequeno grau de incongruência.

BORDERLINE

OFFA Borderline: Não existe um ponto de corte consensual entre os radiologistas para classificar a articulação como Normal ou Displásica. Normalmente existe mais incongruência do que o pouco visto em uma articulação Fair, mas ainda não existem alterações de artrite que definem o diagnostico como sendo Displásico.

Também pode haver uma saliência óssea presente em qualquer das zonas da anatomia do quadril ilustrado acima que não podem ser corretamente avaliada como sendo uma alteração anormal artrítica ou como uma variante anatômica normal para esse cão. Para aumentar a precisão de um diagnóstico correto, recomenda-se a repetir as radiografias em uma data posterior (geralmente 6 meses). Isso permite que o radiologista para comparar o raio X inicial com o mais recente durante um determinado período de tempo e para avaliar mudanças artríticas que poderiam ter progredido, que seria de esperar se o cão for  verdadeiramente displásicos. A maioria dos cães com este grau (mais de 50%) não mostram nenhuma mudança em na articulação ao longo do tempo e recebem uma classificação normal de quadril; geralmente FAIR.

MILD

hips_mild

OFFA Mild: não está presente subluxação significativa, em que a cabeça do fermur  é parcialmente para fora do acetábulo causando um aumento do espaço articular incongruente. O acetábulo é geralmente superficial que cobre apenas parcialmente a cabeça do fêmur. Geralmente, não há alterações artríticas presentes com esta classificação e se o cão é jovem (24 a 30 meses de idade), há uma opção de voltar a apresentar uma radiografia quando o cão for  mais velho que ele possa ser reavaliado pela segunda vez. A maioria dos cães permanecerá displásico, mostrando a progressão da doença com alterações artríticas precoces.

MODERATE

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OFFA MODERATE: está presente subluxação significativa onde a cabeça do fêmur é é mal articulada com um acetábulo raso, causando incongruência articular. Há mudanças secundárias artríticas ósseas geralmente ao longo do colo do fêmur e cabeça (denominado remodelação), mudanças da superfície do acetábulo (osteófitos denominados ou osteófitos) e vários graus de alterações do padrão do osso trabecular chamada esclerose. Uma vez que a artrite é relatada, ela sofrerá  progressão ao longo do tempo.

SEVERE

hips_severe

OFFA SEVERE: atribuído onde existe evidência radiográfica de displasia acentuada.  Está presente subluxação significativa em que a cabeça do fêmur é parcialmente ou completamente fora do acetábulo, que é extremamente raso. Como na “OFFA MODERATE”, há também grandes quantidades de alterações secundárias artríticas ósseas ao longo do colo do fêmur e cabeça, alterações de borda acetabular e grandes quantidades de alterações do padrão normal do osso.”

Esse texto foi traduzido livremente através do site da OFFA, a versão original é encontrada clicando AQUI.

Espero que com esse texto tenhamos ajudado a você a entender um pouco mais sobre essa doença, a importância do controle e de se buscar um cão de boa procedência.

Esse texto foi escrito por CAMILA SAKAVICIUS, e sua reprodução só é permitida se for feita de maneira integral e se a fonte for citada.