CEA, TNS, CL e MDR1 – Doenças que afetam os Border Collies

CEA, TNS, CL e MDR1 – Doenças que afetam os Border Collies

Se você já pesquisou sobre a raça, já deve visto essas siglas e pode ter ficado sem entender o que elas significam. Vamos tentar explicar, para que além de entender o que elas significam, saiba da importância de exigir que o seu filhote tenha garantia para tais doenças.

O Border Collie é uma raça bem forte e saudável. Porém, algumas doenças são transmitidas geneticamente e podem afetar alguns exemplares da raça.

Graças a estudos de veterinários e geneticistas de todo o mundo, foi possível determinar os gens que afetam os cães doentes e existem testes para determinar se o cão é NORMAL, se ele carrega o gen da doenças ( CARRIER) ou se é afetado pela doença ( AFFECTED).

Existem os cães que não são testados, mas são filhos ou netos de cães testados. Então, esses cães são NORMAIS POR PARENTESCO. O objetivo de todo o bom criador e preocupado com a saúde da raça é garantir que nenhum filhote nasça afetado pela doença, ou seja, portadores (carriers) só devem acasalar com cães “normais”.

Alguns criadores oportunistas, dizem que seus cães são NORMAIS POR PARENTESCO sem nunca terem testado algum cão de seu plantel. É preciso ter cuidado e pedir os laudos dos pais desses cães, a fim de ter realmente a certeza de que o filhote a ser adquirido é realmente filho de cães testados. Os testes são ainda bem recentes no Brasil, os primeiros foram feitos em 2009.

Nós, do Emporium dos Cães, começamos a testar aos poucos nossos cães, pois não é um exame barato. É feito fora do país e existe uma burocracia toda para mandar. Mas hoje, temos 100% do nosso plantel testado.

CEA (COLLIE EYE ANOMALY)

O CEA, ou Anomalia no Olho do Collie, é uma doença que afeta, além dos Border Collies, algumas raças como, Collie, Pastor de Shetland, Pastor Australiano, etc.

Para resumir o que é o CEA, podemos dizer que é uma condição que afeta a anatomia normal da retina e de outras estruturas mais profundas do olho, que podem ser irregularidades nas estruturas do olho ou até orifícios ou bolsas.  Na sua forma mais branda, a doença não afetara o cão. Mas na mais severa, pode causar descolamento de retina ou até a cegueira completa.

TNS (TRAPPED NEUTROPHIL SYNDROME)

TNS é um distúrbio imunológico fatal, encontrado em Border Collies.

Os neutrófilos são os precursores de células brancas do sangue, produzidos pela medula óssea. Em um animal normal, os neutrófilos são liberados no sangue para combater infecções. Em um animal afetado para TNS, esses neutrófilos não podem ser liberados a partir da medula óssea, então esse cão não é capaz responder de uma forma eficaz a infecções. O que é incompatível com a vida, invariavelmente são cães que morrem nas primeiras semanas de vida.

CL (CEROID LIPOFUNCINOSIS)

CL é uma doença congênita fatal, que afeta as células nervosas do corpo. Essa doença foi encontrada em diversos cães de raça e, felizmente, é rara em Border Collies. Mas como é bastante grave, não podemos deixar de prevenir.

Os sintomas geralmente não ocorrem até que o cão afetado tenha atingido 12 a 18 meses de idade, mas a doença progride rapidamente, uma vez que os primeiros sinais aparecem. A eutanásia normalmente é indicada para os afetados. Não há casos de cães que foram descobertos com a doença que ultrapassaram os dois anos de idade.

Os sinais clínicos são apreensão ou medo irracional de objetos que o animal já é familiarizado ou leves distúrbios; o animal apresenta um jeito de andar anormal, entre outros.

MDR1 (MULTI DRUG RESISTENCE GENE)

O MDR1 é o gene responsável por garantir as funções normais da P-glicoproteina no corpo, protegendo o corpo das toxinas. O MDR1 de cães afetados, essa função fica comprometida e, portanto, as toxinas (sejam causadas pelo ambiente ou administradas como drogas no animal) podem “vazar” para os principais órgãos.

SOBRE A HERENÇA GENÉTICA DESSAS DOENÇAS

Todas essas doenças são causadas por um gene recessivo, que ambos os pais devem carregar para produzir cães afetados. Para os entendidos de genética, trata-se de uma herança mendeliana autossômica recessiva.

Um cão tem duas cópias do gene, uma vinda da mãe e a outra do pai.

Se um cão tem duas cópias do gene normais, é classificado como NORMAL (AA) e nunca produzirá filhotes afetados.

Se um cão tem um gene normal e um gene defeituoso, é classificado como CARRIER (Aa). Se esse cão for acasalado com outro cão que tenha o gene defeituoso, pode produzir filhotes AFETADOS (aa). Se esse cão CARRIER (Aa) for acasalado com um cão NORMAL, pode produzi filhotes normais e carriers, porém todos saudáveis,

É importante salientar que um cão CARRIER não tem a doença.

Se o cão tiver duas cópias do gene defeituoso é classificado como AFETADO (aa) e vai ter a doença. Em alguns casos, ela pode não se desenvolver e esse cão não terá problema. Esse cão, afetado, for acasalado com um cão NORMAL, gerará 100% da progênie de cães CARRIERS. Se um afetado for acasalado com um cão Carrier, pode produzir filhotes CARRIERS (Aa) ou AFETADOS (aa). E se um cão afetado for acasalado com outro afetado, produzirá 100% cães AFETADOS (aa).

A tabela abaixo,mostra o provável resultado de vários acasalamentos:

Tabela CEA

 

Esse texto foi escrito por ANA PAULA AMBROZINI, e sua reprodução só é permitida se for feita de maneira integral e se a fonte for citada.

 

Fontes:

 

http://www.bryningbordercollies.com/Border-Collie-Health

http://www.bordercollieclub.com/health.html